19 Maio 2011

Nilza Maria Barros da Costa - Moradora de rua


Entre a entrevista e o ato de escrever o perfil alguns dias se passaram, mas Nilza, 49 anos, moradora de rua, não saiu de meu pensamento e de minhas conversas. E o que mais me surpreende nas atitudes dela é a sua imensa vontade de liberdade.

Antes de abordarmos a moradora de rua, perguntamos a vigias e porteiros como ela era. Há muita ela frequenta o bairro de Santa Teresa. Todos sabem quem ela é, mas ninguém sabe dizer seu nome e muitos afirmam: “Não é sociável”. Preparamos uma garrafa de café e um sanduíche, com queijo, afinal todo mundo gosta de queijo e partimos para a abordagem.

“Bom dia! Podemos conversar com você?”. A resposta veio com um sorriso. Nos sentamos no chão, nos identificamos como estudantes de jornalismo e começamos a conversar, sem roteiro, nem pauta, apenas de coração aberto.

Nilza era moradora do morro Lagoinha, perto do morro dos Prazeres, também em Santa Teresa. Aproximadamente em abril de 2010 aconteceram deslizamentos no local. Nilza conta que só teve tempo de pegar sua carteira de trabalho e sair correndo de seu barraco. Quando voltou sua casa já estava tomada e só lhe restava à rua. Documento, aliás, que tem muito orgulho de mostrar apesar “da cara de bandida da foto”.
“Viver na rua é muito duro, estou com pneumonia, me trato no posto. Mas até minha dentadura já levaram!”. Conta enquanto tosse e cospe em um jornal. “Não gosto de cuspir no chão”.

A guerra para se ter um lugar e o maior amor do mundo.

Nilza fica sempre na porta do mesmo prédio. Conta que no Carnaval passado juntou 60 sacos de lata. A síndica chamou a Comlurb e mandou retirar tudo. Aproximadamente R$ 2.000 em latas. “Uma maldade. Agora eles vão ter que me aturar aqui!”, sentencia. As latinhas tem sido seu único meio de sobrevivência. Ela junta e carrega tudo até o Estácio para vender. “tenho que fazer isso, pois tenho uma filha”, revela. Aniel Cristina tem 10 anos e vive com o “Zé, o cara que vende pastel”. Além da filha de Nilza ele cuida de outras crianças, mas não sabemos mais detalhes. Apenas que ele cuida muito bem da criança. “Não é com qualquer um que podemos deixar uma menina”. Apesar de morar na rua, Nilza leva a filha para a escola e no dia das mães ganhou presentes da filha: uma carta e um moranguinho que vira sacola. Ela conta que a filha disse que o presente era Lino, mas que tinha certeza que a mãe ia acabar dando para ela. “É verdade minha filha, é muito fino pra mim, fica pra você.” A filha é fruto do “maior amor do mundo”. O pai da menina se relacionou com Nilza por 10 anos e quando soube que ela estava grávida, abandonou as duas. “Quando a doença apareceu, eu precisei da ajuda dele. Disse que ia colocar na justiça”. O homem chegou a ameaçá-la de morte se ela fosse até o fim com essa história. “Eu te amo, mas eu te mato. “Me deu um beijo e foi embora”, conta emocionada. “Eu botei ele na justiça! ”.

A família

A doença de qual Nilza fala é a AIDS. Ela demorou a revelar qual era o problema e quando o fez, foi de forma sutil. E por conta da doença, ela não se relaciona com a família. Irmãos, irmãs e um filho de 31 anos que não vê há um ano. “Ele resolveu cuidar da família dele. E eu? Sou o quê? Me esquece então!”. Ela argumenta que seus irmãos nunca gostaram dela, pois era a preferida do pai, que morreu de infarto, dormindo, aos 47 anos. “Gosto mais do meu pai, do que dos meus filhos!”.

O trabalho e a liberdade.

Segundo ela a doença atrapalha a trabalhar. A prefeitura já tentou ajudá-la. Mas para ela não dá. “Mas eu não agüento. Eu sou muito livre, eu não tenho regra, sempre fui hippie, eu quero ficar a vontade”. Nilza trabalhava com artesanato em couro. Já fez trabalho que foram vendidos no estrangeiro e figurinos que fizeram parte da minissérie “Lampião e Maria Bonita” da Globo. Mas perdeu tudo “na doideira”. Drogas, perguntamos. “Claro”, responde com naturalidade. E conta que gosta de maconha, mas evita o pó, pois machuca muito o nariz, sangra. E como um ato de confiança, tira do tênis surrado uma trouxinha de maconha pergunta se não queremos dividir. Agradecemos e recusamos, mas fiquei com a sensação que aquela era a forma de Nilza mostrar sua amizade, a confiança. Alguns artesões do bairro já ofereceram ajuda, mas Nilza não quer ser contratada como aprendiz, para ganhar R$ 100,00 por semana. “Fico dura, mas continuo livre”, repete enérgica. Conta que faz sua higiene nos bares, que usa o que “acha” por ai e que assim vai vivendo. Agradecemos a conversa. Ela diz que adorou e que foi bom a gente ter a acordado, já que é hora de levar a filha na escola. Perguntamos se ela quer ficar com a xícara. Ela diz que sim e que quer ver a reportagem depois. Vamos embora. E desde então Nilza e seu sonho de liberdade habitam em mim.

Fotos e entrevista Tais Carvalho

09 Maio 2011

Thor , o Deus do Trovão.


A Marvel lança mais uma peça-chave para o lançamento de “Os vingadores” e acerta no alvo com “Thor”. “Os vingadores” já está em fase de produção e é a liga criada pela Marvel que une além de Thor, o Homem de Ferro, Wolverine, Homem-Aranha, Hulk e o Capitão América (ufa!). Mas isso é outra crítica, voltemos ao Deus do Trovão.

Thor (Chris Hemsworth) está para receber a coroa do reino de Asgard das mãos de seu pai Odin (Anthony Hopkins), quando forças inimigas invadem a cidade quebrando um acordo antigo de paz. Disposto a se vingar, o jovem guerreiro dá início a um conflito entre os povos, desobedecendo a ordens supremas do Rei. Pela sua arrogância e intolerância Thor é mandado a Terra sem seus poderes. Perdido, ele vai ter muito trabalho até entender onde está e como fazer para voltar para casa. Na Terra, Thor conhece a engajada cientista (Natalie Portman) que o ajuda. Em Asgard o ciumento irmão de Thor, Loki (Tom Hiddleston) tem um plano para assumir de vez o trono das mãos de Odin.

O filme é uma grande sucessão de acertos e todos eles giram em torno de um homem: Kenneth Branagh. O ator e diretor inglês ao longo de sua carreira se especializou em filmes Shakespeariano ou que envolvessem grandes clássico como “Frankenstein de Mary Shelley” de 1994. Só para ser ter um ideia o diretor já atuou ou dirigiu ou os dois, clássicos como: “Henrique V" (1989), “Muito barulho por nada” (1993), “Hamlet” (1996) e “Othelo” (1995). Com tantos filmes dentro do estilo “antipipoca”, Kenneth Branagh parecia à escolha mais improvável para dirigir “Thor”. Improvável sim, certeira também.

Um diretor como ele preza uma excelente fotografia, um roteiro inteligente e bons atores em cena. E elementos como esses fazem qualquer filme ficar muito bom. A fotografia de “Thor” é realmente eficiente. No mundo de Asgard os efeitos 3D são usados de forma impressionante. Na Terra Branagh nos brinda com planos e contra planos tão lindamente compostos que você pensa que nem precisava tanto para um filme de ação. E se você não prestar atenção em nada disso é por que provavelmente está envolvido com os personagens e com a ação. Um roteiro amarrada por muitas mãos. São 3 roteiristas além de 2 que cuidaram do argumento e 3 pessoas (incluindo Stan Lee) que cuidaram da consultoria relacionada aos quadrinhos.

A história dosa comédia, ação, humor, romance, de modo a tornar “Thor” um experiência acima de tudo divertida. Ótimas falas para ótimos atores. Não existe um ator em cena que não vista com propriedade a pele de seu personagem. Destaque para Tom Hiddleston, que interpreta Loki e transpira ciúme e angustia em cada olhar.

Kenneth Branagh acertou em cheio ao escolher o “quase” desconhecido Chris Hemsworth para o Deus do trovão. Optar por um ator que ainda não tenha nenhum papel marcante, cria no imaginário dos espectadores algo mágico: a partir daquele momento Chris Hemsworth é Thor. Assim como Hugh Jackman já foi Wolverine na nossa mente, ou ainda é? Outro ponto para o filme e para Branagh que dirigiu lindamente sua versão rock and roll de uma tragédia shakespeariana.




Thor (Thor)
2011, EUA, 114 minutos
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Stellan Skarsgard, Anthony Hopkins.

Postado por Tais Carvalho

22 Março 2011

Cachaça Cinema Clube - Sessão de Estreias



O “Cachaça Cinema Clube” de março faz uma sessão com várias estréias. São três filmes novos, três novidades ainda não exibidas no circuito carioca. Após os filmes, ocorre a tradicional degustação de Aguardente Claudionor e festa com DJ H e participação especial de DJ Carabina.

A ideia desta sessão é proporcionar o contato das obras com o público e abrir a porta para a nova produção de curta-metragem, arriscar e dar espaço para o que chega, passando por temas como a exclusão social, a violência urbana, conflito entre jovens e um cartunista radical.

OS FILMES

Catadores, de Renata Than, 2011, 17'
Documentário sobre os papeleiros, catadores do lixo ordinário do centro do Rio de Janeiro. Trabalhando na virada da noite, o importante é a sobrevivência, e não há muito a dizer. 

Custo zero, de Leonardo Pirovano, 2010, 12'
Os fatos gratuitos da vida não parecem obedecer a algum plano, servir a algum propósito ou constituir parte de alguma trama. Mesmo assim, eles acontecem. 

Amor proibidão, realização da Kabum!, 2011, 15'
Amor proibidão é um filme musical que aborda os conflitos de um grupo de jovens numa favela carioca no ritmo do funk. DG, um traficante dividido entre a “boca” e a vida com sua namorada, é traído por seus parceiros, que decidem armar um plano para que ele continue no crime. Paralelamente, as relações de poder no morro são reveladas de maneira surpreendente por uma personagem inusitada. O funk, poderoso meio de expressão dos moradores das comunidades do Rio de Janeiro, foi escolhido para pontuar a narrativa. Sucessos de Buchecha, Gaiola das Popozudas, MC Doriva entre outros, fazem parte da trilha sonora dessa história de amor proibido. Proibido não, proibidão. 

Angeli 24 horas, de Beth Formaggini, 2010, 25'
Documentário sobre o cartunista Angeli e as transformações em sua obra. O filme é centrado na sua obsessão pelo trabalho e na crise entre ser um artista da cultura pop, produzindo diariamente novas charges e tirinhas para várias mídias, e ao mesmo tempo exigindo de si mesmo radicalidade e capacidade de se renovar, sempre botando o dedo na ferida.

+ filme surpresa!

Dia 23 de março às 21h
Cinema Odeon Petrobras
Praça Floriano, nº 7. Cinelândia
Preço: 14 Reais inteira, 7 Reais meia

Postado por Tais Carvalho


21 Março 2011

Festival Performance Arte Brasil – MAM Rio


Amanhã, terça-feira, dia 22 o MAM Rio apresenta o inédito Festival Performance Arte Brasil, que será realizado em seus pilotis, jardins e cinemateca, com entrada é franca e o evento vai até o dia 27 de março. O Festival Performance Arte Brasil é o primeiro evento de abrangência nacional voltado para a discussão dessa prática artística no país, e irá reunir 43 artistas brasileiros, incluindo quatro grupos, além de 16 palestrantes, entre curadores e pesquisadores, que integrarão uma verdadeira maratona diária, das 12h às 20h. O Festival também abrange quatro mostras de vídeos, que darão um amplo panorâmico da arte da performance no país. 

A abertura será com a mostra de vídeos – PERFORMATI(VÍDEO)DADE às 14h, seguida do encontro às 16h, com Luiz Camillo Osorio, curador do MAM Rio, e Fernando Cocchiarale, professor e crítico de arte, com mediação de Daniela Labra, coordenadora geral do evento.  A abertura será seguida de três performances.

Para maiores informações:

Postado por Tais Carvalho

Cine Maison à brasileira


O cineclube Cine Maison, no próximo dia 28, celebrará o lançamento do primeiro livro francês dedicado à história do cinema brasileiro, escrito por Laurent Desbois: L'Odyssée du Cinéma brésilien, de l'Atlantide à la Cité de Dieu e La Renaissance du Cinéma brésilien. Ás 17h30 haverá uma sessão de autógrafos do livro com Laurent Desbois acontecerá na Maison de France. Às 18h30, o diretor Walter Salles apresentará o seu filme Central do Brasil. Após a sessão, um debate sobre o cinema brasileiro mediano por Rodrigo Fonseca (Globo) reunirá Walter Salles, Fernanda Montenegro (atriz), Carlos Diegues (diretor) e  Laurent Desbois (autor). E o melhor é gratuito!

Para quem não conhece acontece toda segunda-feira e exibe as mais relevantes produções cinematográficas francesas, clássicas e recentes, com debates e convidados especiais.



Av. Pres. Antonio Carlos, 58 - Centro - Rio de Janeiro
Tel: (21) 3974 6644

Postado por Tais Carvalho
 
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